Exportação Reino Unido → França
Alfândega Dover–Calais: como exportar do Reino Unido para França por estrada
Guia prático para transportadores rodoviários, exportadores e transitários que levam um camião do Reino Unido para França por Dover–Calais ou pelo Eurotunnel: declaração de exportação no CDS, EORI GB, GVMS e GMR, EXS, ENS no ICS2 e trânsito T1. Explicamos o que tratamos do lado britânico e o que cabe ao despachante (representante aduaneiro) em França — situação em setembro de 2026.
Equipa easyclearance.pl
Resumo rápido
A easyclearance.pl presta serviços de declaração aduaneira do lado britânico (GB). No tráfego Reino Unido → França por Dover–Calais tratamos apenas do lado do Reino Unido: a declaração de exportação britânica (CDS), o EORI GB, o GVMS e o número GMR, a EXS (Exit Summary Declaration) quando é exigida e o trânsito T1 quando a carga segue para além de França. O lado francês — a ENS no ICS2, a declaração de importação na UE, o EORI francês e as formalidades na douane — é tratado por um despachante em França ou pelo transitário.
A regra que mais pesa na prática: a GMR tem de estar emitida antes de o camião chegar ao portão do ferry ou do Eurotunnel. Sem GMR, não há embarque em Dover. E para uma empresa da UE que expede a partir de um armazém no Reino Unido, o que conta na exportação britânica é o EORI GB; o EORI da UE só passa a ser relevante quando a mercadoria é importada na UE.
Os preços dos serviços do lado britânico (exportação, T1, EXS/GMR) estão apenas na página de preços (EN).
Porque é que Dover–Calais continua a dominar o tráfego Reino Unido → França
O corredor Dover ↔ Calais, juntamente com o Eurotunnel Folkestone ↔ Coquelles e a ligação Dover ↔ Dunquerque, é um dos troços RoRo mais movimentados da Europa, com um tráfego de camiões especialmente intenso nos dias de pico logístico (segundas, sextas e semanas antes de feriados). Nenhuma outra rota entre o Reino Unido e o continente oferece esta frequência: ferries a cada 30-60 minutos e, nas horas de ponta, o Eurotunnel a cada 7-10 minutos.
Para quem carrega num armazém em Birmingham, Manchester ou Londres, as contas são simples: 3-5 horas do centro de Inglaterra até Dover, 90 minutos de travessia (Dover ↔ Calais) ou 35 minutos (Eurotunnel) e, depois, a autoestrada A16 em direção a Paris, Lyon, Alemanha ou à Península Ibérica. Para um camião completo (FTL), Birmingham → Paris fica concluído em 16-20 horas, dentro das regras de tempos de condução. As alternativas — Hull ↔ Roterdão (12 h de travessia), Harwich ↔ Hoek van Holland (8 h) ou Newhaven ↔ Dieppe (4 h) — são piores para o tráfego típico com destino a França, porque obrigam a um desvio longo no continente.
Depois do Brexit (1 de janeiro de 2021), Dover–Calais mudou por completo. A Sevington Inland Border Facility (a 35 km de Dover, perto de Ashford) assumiu o papel de posto de controlo fronteiriço (BCP) e de local de inspeções SPS. O Eurotunnel lançou o Short Straits, um sistema integrado de pré-desalfandegamento. O Port of Dover e os operadores DFDS, P&O e Irish Ferries estão integrados com o GVMS (Goods Vehicle Movement Service). Em 2026, com a declaração e a GMR preparadas antecipadamente, o embarque demora habitualmente 15-45 minutos. Sem elas, não há embarque.
Travessia Dover–Calais de camião: exportação do Reino Unido para França em 8 etapas
Fluxo típico de um camião completo de um armazém no Reino Unido para um destinatário em França. Cenário: empresa logística da UE com armazém em Birmingham, cliente B2B em Paris, mercadoria sem requisitos SPS (por exemplo, peças automóveis, eletrónica, têxteis).
- Encomenda e documentos comerciais. O exportador britânico emite a fatura comercial e a lista de embalagem. Devem incluir os dados completos do expedidor e do destinatário, os números EORI (GB do lado britânico; o EORI da UE do lado europeu), a descrição da mercadoria, os códigos HS (Sistema Harmonizado), o valor, o peso e o Incoterm (tipicamente DAP, FCA ou CPT). Veja a checklist da fatura comercial.
- Instruções ao intermediário aduaneiro do lado britânico. O transitário ou o exportador envia-nos a fatura, a lista de embalagem, o CMR, o EORI GB, os dados do veículo (matrícula do trator e do semirreboque) e o plano de travessia (porto, operador e hora).
- Declaração de exportação no CDS. Apresentamos a declaração de exportação no CDS (Customs Declaration Service), o sistema do HMRC que substituiu o anterior nas exportações em 2024 (mais sobre o CDS). Obtemos o MRN (Movement Reference Number) — a prova eletrónica de que o Reino Unido autorizou a saída da mercadoria para exportação. Saiba o que é o MRN.
- EXS — declaração sumária de saída. Na maioria das cargas para a UE, os dados da EXS seguem automaticamente dentro da declaração de exportação. Uma EXS autónoma só é apresentada quando a mercadoria sai do Reino Unido sem declaração de exportação (por exemplo, certas reexportações, contentores vazios ou determinados trânsitos).
- GVMS e GMR. Emitimos a GMR (Goods Movement Reference) no GVMS. Este número liga o MRN da exportação, os dados do veículo e a travessia. O motorista apresenta-a ao operador do ferry ou do Eurotunnel no portão de acesso do porto ou do terminal de onde parte.
- Lado francês — ICS2 / ENS. Esta etapa está fora do nosso âmbito. Um despachante em França (ou o transportador, enquanto operador do meio de transporte) apresenta a ENS no ICS2 (Import Control System 2, o sistema de segurança e proteção da UE) e a declaração de importação no sistema francês DELTA (douane.gouv.fr). Prazos e procedimentos na secção «ENS do lado francês» mais abaixo.
- Embarque no ferry ou no Eurotunnel. O motorista chega a Dover ou Folkestone e a GMR é lida no portão de acesso (reconhecimento automático de matrículas e código de barras); segue para o ferry ou para o shuttle. Se a carga for selecionada para inspeção física, o motorista é encaminhado para o local de inspeção, por exemplo Sevington (Ashford). Se estiver «cleared», segue diretamente para bordo.
- Desembarque em Calais / Dunquerque e entrega. À chegada, o camião passa pela fronteira inteligente francesa — normalmente pela via verde automática. A importação em França é tipicamente tratada antes da chegada, pelo que o motorista segue diretamente para o local de entrega. Calais → Paris: 3 h pela A16/A1.
O que fazemos (lado britânico) e o que faz o despachante francês (lado francês)
É a dúvida mais frequente de exportadores e transportadores rodoviários da UE: «A easyclearance.pl trata de tudo, desde o armazém no Reino Unido até ao destinatário em França?» A resposta é não: tratamos do lado do Reino Unido e o lado francês tem de ser tratado por um despachante em França ou pelo seu transitário. Não é uma preferência comercial — é assim que funciona o direito aduaneiro. Cada jurisdição tem os seus sistemas e cada representante aduaneiro atua no país onde está habilitado.
| Tarefa | Lado britânico (easyclearance.pl) | Lado francês (despachante francês / transitário) |
|---|---|---|
| Declaração de exportação britânica (CDS) | SIM | n/a |
| MRN da exportação britânica | SIM | n/a |
| EORI GB (verificação / apoio no registo) | SIM (ajudamos no registo) | n/a |
| EXS (declaração sumária de saída) no Reino Unido | SIM, quando exigida | n/a |
| GVMS / GMR | SIM | n/a |
| Trânsito T1 — abertura no Reino Unido | SIM (quando a carga segue para além de França) | n/a |
| Trânsito T1 — apuramento (fecho) | não — parceiro no país de destino | se França for o destino, trata o despachante francês |
| ENS / ICS2 (segurança e proteção da UE) | não — obrigação do transportador (operador do meio de transporte) / despachante francês | SIM |
| Declaração de importação em França (DELTA / DELTA-G) | não | SIM |
| EORI francês, número de IVA intracomunitário (TVA) | não | SIM |
| Pagamento do IVA e dos direitos em França | não | SIM (ou o exportador com registo de IVA em França) |
A quem ainda não tem despachante em França recomendamos parceiros franceses de confiança, mas o mandato formal e a procuração (représentation en douane) têm de ser assinados diretamente entre o exportador e o despachante francês.
Documentos do lado britânico: checklist
Este é o conjunto mínimo de que precisamos para apresentar a declaração de exportação no CDS e emitir a GMR. Quanto mais cedo o pacote completo chegar, mais cedo o camião pode sair de Dover.
- Fatura comercial — dados do expedidor e do destinatário, número e data da fatura, descrição da mercadoria, código HS (no mínimo 6 dígitos; o CDS exige 8-10 consoante o caso — veja o guia sobre classificação pautal e código HS), valor em GBP ou EUR, moeda e Incoterms 2020 (por exemplo, DAP Paris ou FCA Birmingham; mais em FCA, DAP e DDP).
- Lista de embalagem (packing list) — número de volumes, tipo (paletes, caixas, grades), peso bruto e líquido, dimensões e marcas. Veja packing list e VGM.
- CMR — carta de porte rodoviária internacional, com os campos 1-16 preenchidos e a assinatura do expedidor.
- EORI GB — começa por «GB» seguido de 12 dígitos (por exemplo, GB123456789000). O exportador regista-se em gov.uk/eori (em inglês); o registo é gratuito e demora tipicamente 3-5 dias úteis. Mais detalhes no guia EORI GB, UE e XI.
- Dados do veículo — matrículas do trator e do semirreboque e nome do motorista (para o GVMS).
- Código CPC (Customs Procedure Code) — o código do regime aduaneiro. Exportação direta normal: 1000. Reexportação: 3151. Aperfeiçoamento passivo: 2100. Ajudamos a escolher o código correto.
- Licenças e certificados (quando aplicável) — bens de dupla utilização (licenças britânicas OGEL/SIEL), licença de exportação de material militar, declaração de origem na fatura para a preferência do acordo UE–Reino Unido (TCA; o EUR.1 não é utilizado — veja TCA UE–Reino Unido: origem) e EX-A para aperfeiçoamento passivo.
- Plano de travessia — operador (DFDS / P&O / Irish Ferries / Eurotunnel), hora e identificação da rota.
No fim recebe de nós o MRN da exportação (cópia para o motorista, normalmente em PDF impresso ou código de barras numa aplicação) e o número GMR, que o motorista apresenta ao operador no check-in.
ENS do lado francês: quem a apresenta, quando e com que prazos
O ICS2 (Import Control System 2 — o sistema da UE de segurança e proteção antes da chegada) chegou a esta rota por fases, e as datas importam porque ainda circulam muitas orientações de 2021. A carga aérea entrou com a Release 2, a partir de 1 de março de 2023. Os transportadores marítimos e de vias navegáveis interiores aderiram à Release 3 a partir de 3 de junho de 2024 (com uma janela de ligação até 4 de dezembro de 2024). Os transportadores rodoviários e ferroviários entraram a 1 de abril de 2025. O período de transição terminou a 1 de setembro de 2025 — a partir dessa data, nas palavras da Comissão Europeia, o ICS2 está plenamente operacional em todos os Estados-Membros para todos os meios de transporte. As derrogações temporárias de alguns Estados-Membros terminaram a 1 de junho de 2026: todas as remessas que entrem na UE por qualquer meio de transporte a partir de 1 de junho de 2026 devem ter uma ENS válida.
França utilizou uma extensão nacional: pediu à Comissão que os fluxos rodoviários, ferroviários e combinados que entram na UE por França pudessem continuar a apresentar as declarações de segurança no antigo ICS1 até 31 de dezembro de 2025, se o operador ainda não estivesse preparado. Esse prazo já passou. Para um camião que embarca hoje em Dover ou Folkestone, a ENS (Entry Summary Declaration) vai para o ICS2 e tem de ser apresentada antes de o camião embarcar no ferry ou no shuttle.
Quem é responsável? Nos termos do artigo 127.º do Código Aduaneiro da União (CAU), o transportador — o operador do meio de transporte que entra na UE. Na prática, no tráfego RoRo:
- Ferry — o operador (DFDS, P&O, Irish Ferries) transfere normalmente a obrigação da ENS para o transportador rodoviário ou para o seu despachante em França.
- Eurotunnel — a Getlink (operadora do Eurotunnel) tem um sistema próprio de pré-chegada, ao qual o despachante francês associa a ENS.
Prazos: a ENS deve ser apresentada antes do carregamento no ferry no Reino Unido. O prazo legal exato para o transporte rodoviário não consta das fontes citadas; na prática, os operadores e os despachantes pedem os dados com várias horas de antecedência — confirme com o seu operador. O ICS2 faz a análise de risco e devolve uma de três respostas: aceite (entrada OK), «Do Not Load» (proibição de carregar — rara) ou «Request for Info» (dados em falta).
A easyclearance.pl não apresenta a ENS nos sistemas franceses — isso tem de ser feito por um despachante em França ou pelo transportador (operador do meio de transporte). Se trabalha connosco com regularidade e não tem despachante em França, ajudamos a pô-lo em contacto com parceiros em Calais, Lille ou Paris. Para comparar as declarações, veja a declaração ENS explicada (EN).
GVMS e GMR na saída do Reino Unido: como funciona e quanto tempo demora
O GVMS (Goods Vehicle Movement Service) é o sistema britânico que reúne todas as declarações aduaneiras (exportação, T1, EXS) ligadas a um movimento de veículo. A GMR (Goods Movement Reference) é o identificador único desse movimento — um código de barras que o motorista apresenta no portão de acesso do porto.
O procedimento, na prática:
- Nós (ou o exportador) entramos no GVMS — é preciso um registo de empresa com EORI GB (registo no GVMS, em inglês).
- Criamos a GMR e introduzimos o MRN da exportação, as matrículas do trator e do semirreboque, o operador (ferry ou túnel) e a data e hora.
- O GVMS liga tudo e gera a GMR.
- O motorista recebe a GMR (SMS, e-mail, PDF) e apresenta-a no portão de acesso em Dover / Folkestone.
- O portão automático lê a matrícula e a GMR, o sistema verifica a coerência e o motorista recebe luz verde («Cleared») ou indicação de inspeção.
Tempo para emitir uma GMR: habitualmente 5-15 minutos depois de termos todos os dados. A boa prática é emitir a GMR pelo menos 1 hora antes da partida do ferry. A GMR pode ser atualizada (por exemplo, para mudar a hora da travessia) até ao embarque efetivo; depois disso o registo fica bloqueado. As regras oficiais estão em Get a goods movement reference (em inglês).
O custo da emissão de uma GMR depende de fazer parte de um desalfandegamento completo ou de ser um serviço isolado — consulte a página de preços (EN).
GMR Dover–Calais: onde é verificada e porque ninguém a verifica em Calais
Resposta curta: a GMR é verificada uma vez, do lado britânico, pelo operador do ferry ou do shuttle no porto de onde parte. França nunca a vê. Não existe «verificação de GMR em Calais», porque a fronteira francesa não lê a GMR — lê a matrícula do veículo.
Do lado britânico. O GOV.UK é claro quanto à sequência: apresente a GMR no porto de onde parte e pergunte ao operador desse porto (ferry ou shuttle) como a quer receber. Se a GMR for válida, o operador autoriza o embarque. É essa a verificação — uma decisão do operador no check-in, não um balcão da Border Force onde se faz fila.
Não pode consultar uma GMR por conta própria. O HMRC publica um serviço de verificação da GMR, mas não é uma página de consulta pública: destina-se aos operadores de ferry e de shuttle que integraram a API para transportadores (interface de programação de aplicações). O operador submete a GMR com a matrícula do veículo (movimento acompanhado) ou com a referência do reboque ou do contentor (movimento não acompanhado). Se a referência for inválida, as orientações dizem que o operador tem de informar o transportador rodoviário de que não pode embarcar até obter a informação correta (Check if a goods movement reference is valid, em inglês). Por isso, quando um motorista pergunta «podem verificar a minha GMR?», a resposta honesta é: o operador pode, o motorista não — a sua própria GMR verifica-se abrindo-a no GVMS.
No sentido inverso (UE → Grã-Bretanha) existe um segundo ponto de controlo que não existe na saída: depois da chegada, utiliza-se o serviço de notificação de inspeção para saber se a mercadoria fica retida. Nas chegadas a Dover e ao Eurotunnel, isso pode significar a instrução de se apresentar numa Inland Border Facility, e a mercadoria tem de lá chegar no mesmo estado em que estava no momento da importação — o HMRC prevê uma coima até £2 500 para quem não cumpre.
Do lado francês não há GMR — há a fronteira inteligente (smart border). A alfândega francesa utiliza um sistema baseado na matrícula em toda a região de Calais e, de forma mais ampla, nos pontos de entrada e saída da Mancha e do Mar do Norte. O transportador rodoviário (ou o seu despachante) apresenta antecipadamente as declarações aduaneiras ou de trânsito e recebe um código de barras, que o motorista leva consigo; esse código estabelece a ligação entre as matrículas do camião e a respetiva declaração ou declarações. À chegada, o veículo é encaminhado automaticamente para a via verde (sem paragem) ou para a via laranja (área de controlo), consoante o estado dessas declarações. Nada nesta cadeia envolve a GMR. Se a carga for retida em Calais, a causa está na declaração francesa ou de trânsito, não no GVMS — veja GVMS, GMR, ENS e EXS lado a lado (EN).
Códigos das estâncias aduaneiras no corredor Dover–Calais: GB000060 e FR620001
Dois códigos cobrem quase todos os movimentos de trânsito Dover–Calais e são os que mais vezes acabam no campo errado. O britânico é GB000060; o francês, para o porto e para o túnel, é FR620001.
| Código | Estância | Funções | Notas |
|---|---|---|---|
| GB000060 | Dover / Folkestone / Eurotunnel Freight | Partida, destino, passagem, incidentes | Estância principal, aberta 24 horas por dia, 7 dias por semana. Dover Western Docks Freight Clearance Centre, Lord Warden Square, Dover CT17 9DN. Dover Western Docks (na Sevington Inland Border Facility, Ashford TN25 6GE) e o Stop 24 nas Folkestone Services estão sob o mesmo código. |
| FR620001 | Calais Port / Tunnel | Estância de passagem (Brexit) | Cobre o porto de ferries e o terminal do Eurotunnel em Coquelles. |
| FR590001 | Dunkerque Ferry | Estância de passagem (Brexit) | Utilize-o quando a travessia for Dover ↔ Dunquerque e não Dover ↔ Calais. |
A lista oficial das estâncias britânicas está em Community and Common Transit — UK offices list (em inglês). A alfândega francesa publica a lista completa das estâncias de passagem Brexit em França: Dunkerque Ferry (FR590001), Calais Port/Tunnel (FR620001), Rouen (FR003920), Caen (FR000720), Le Havre Port CREPS (FRD02300), Cherbourg (FR000950), Saint-Malo (FR004060) e Brest Bureau (FR000690).
Há três regras associadas a estes códigos, e cada uma corresponde a um erro real:
- A estância de passagem fica no território em que se entra, não no que se deixa. Desde que o Reino Unido é parte contratante da Convenção relativa a um regime de trânsito comum, um movimento de trânsito que sai da Grã-Bretanha para França, ou através de França, declara uma estância de passagem francesa. No sentido inverso — de um Estado-Membro da UE para o Reino Unido — a estância de passagem é uma estância com código GB. Pôr GB000060 no campo da estância de passagem num movimento GB → FR é a inversão clássica.
- Declare exatamente uma estância de passagem para a entrada na União. A alfândega francesa é explícita: só deve ser indicada uma estância de passagem para a entrada no território aduaneiro da União a partir do Reino Unido. Listar todos os portos que possa vir a usar não é uma precaução, é um erro.
- Um engano não é fatal. Se a estância de passagem indicada na declaração for diferente da efetivamente utilizada, a mudança de ponto de passagem é registada automaticamente no Delta T através da fronteira inteligente. É útil saber isto quando uma travessia passa de Calais para Dunquerque à última hora.
Um pormenor operacional da mesma orientação francesa, a transmitir aos motoristas: quando o camião embarca no Reino Unido, o pessoal do ferry ou do Túnel da Mancha associa a matrícula ao documento de acompanhamento de trânsito (DAT/TAD). O documento de exportação britânico não deve ser lido nessa associação — fazê-lo pode atrasar a travessia. Se não tem a certeza de que estância deve constar da declaração, comece por estância de passagem e garantia de trânsito (EN).
Trânsito T1: quando é necessário numa exportação Reino Unido → França
O T1 (trânsito da União / Convenção relativa a um regime de trânsito comum) é um regime que suspende os direitos e o IVA durante o trânsito entre os países da Convenção. Nem todos os movimentos Reino Unido → França precisam de T1 — na maioria dos casos chega a exportação britânica mais a importação em França. O T1 é necessário em dois cenários:
- A carga segue para além de França e é desalfandegada no país de destino — por exemplo, Reino Unido → Portugal via França e Espanha, ou Reino Unido → Polónia via França e Alemanha. Nesse caso, o T1 é aberto no Reino Unido (fazemos nós), atravessa França sem importação e é apurado no país de destino.
- A importação em França é feita no interior, e não em Calais — por exemplo, a mercadoria vai para um entreposto aduaneiro em Paris ou Lyon, onde só então é desalfandegada. O T1 leva a mercadoria da fronteira francesa até uma estância aduaneira interior (bureau de destination).
Para uma entrega clássica a um destinatário em França (sem reencaminhamento e com importação em Calais ou num local próximo), o T1 não é necessário. Chega a exportação britânica mais a importação em França.
Preço de um T1 emitido no Reino Unido: página de preços (EN). O serviço cobre o lado britânico (abertura) e a cooperação com o parceiro no país de destino que apura o T1; o valor exato depende do país de destino, do valor da mercadoria (que influencia a garantia) e do número de linhas.
O T1 exige ainda uma garantia financeira — normalmente correspondente a 100% do valor da mercadoria mais os direitos potenciais. Pode ser utilizada a garantia global do representante ou uma garantia própria do cliente; confirme as condições antes do envio. Mais detalhes no guia do trânsito T1 (EN).
Erros frequentes e como evitá-los
- Falta de EORI GB do exportador. Uma empresa da UE com armazém no Reino Unido continua a pensar que o EORI do seu país chega. Errado — a declaração de exportação britânica exige EORI GB. O registo é gratuito (gov.uk/eori, em inglês), mas demora 3-5 dias úteis. Lição: obtenha o EORI GB antes da primeira expedição.
- Código HS errado. O código HS determina a taxa de direitos aduaneiros da UE aplicada na importação em França, as licenças e os controlos exigidos. Um erro nos 4-6 primeiros dígitos pode custar milhares em direitos adicionais ou bloquear a carga. Lição: valide o código HS com um especialista aduaneiro antes da primeira expedição.
- GMR à última hora. O motorista chega a Dover, a GMR ainda está a ser emitida e o operador do ferry recusa o embarque. O motorista tem de pagar uma nova reserva (£75-200, cobrados pelo operador) e esperar 1-3 h pela travessia seguinte. Lição: GMR pelo menos 1 h antes da partida, idealmente 2-3 h.
- Incoterms pouco claros. Uma fatura «EXW Birmingham» significa que o comprador (em França) é responsável pela exportação britânica e por todo o transporte. Se o exportador britânico não tiver isso presente, apresenta uma declaração de exportação incoerente com o contrato — e mais tarde a administração fiscal francesa pode exigir uma correção do IVA (TVA) francês. Lição: acorde sempre os Incoterms 2020 por escrito; todos devem saber quem faz o quê.
- Confundir ENS e EXS. A ENS é a declaração de segurança na entrada na UE (tratada pelo lado francês). A EXS é a declaração de segurança na saída do Reino Unido (tratada pelo lado britânico, normalmente incluída na declaração de exportação). Trocá-las gera confusão. Lição: ENS = entrada na UE, EXS = saída do Reino Unido.
Exemplo de cronograma: camião de Birmingham para Paris
Exemplo ilustrativo de uma operação típica: peças automóveis, 22 paletes, valor de £48 000, de um armazém em Birmingham para uma oficina em Paris (13e arrondissement). Incoterm: DAP Paris. Operador: DFDS Dover ↔ Calais. Horas do Reino Unido até ao embarque.
- Dia 1, 06:00 — o exportador envia o pacote completo: fatura, lista de embalagem, EORI GB, CMR (rascunho) e o plano de travessia DFDS (partida às 14:00).
- 06:30 — verificação do código HS (87089997 — partes e acessórios de veículos automóveis), CPC 1000 e apresentação da declaração de exportação no CDS.
- 06:45 — o CDS devolve o MRN (formato de exemplo: 26GB1A2B3C4D5E6F7).
- 07:00 — emissão da GMR no GVMS e envio ao motorista por SMS.
- 07:30 — o motorista sai de Birmingham (M40 → M25 → M20).
- 11:30 — o motorista chega ao portão dos Eastern Docks em Dover; a GMR é lida e recebe luz verde («Cleared»).
- 12:00 — embarque no ferry DFDS.
- 14:00 — partida do ferry; cerca de 90 minutos de travessia.
- À chegada a Calais — o motorista desembarca e passa a fronteira francesa pela via automática (o despachante francês apresentou a ENS e a importação em França de manhã; estado «cleared») e segue pela A16 em direção a Paris.
- Entrega — descarga na oficina em Paris, respeitando a pausa obrigatória do motorista e os tempos de condução e repouso.
Serviços do lado britânico neste exemplo: declaração de exportação + GMR — preços na página de preços (EN).
Perguntas frequentes sobre a alfândega Dover–Calais
Uma empresa da UE que expede de um armazém no Reino Unido precisa de EORI GB ou do EORI do seu país?
Para a exportação britânica precisa de EORI GB. Se a empresa estiver registada no Reino Unido (Ltd) ou tiver uma sucursal britânica, registe um EORI GB para essa entidade (gov.uk/eori; gratuito, 3-5 dias). O EORI da UE (por exemplo, PT) só é relevante quando a mercadoria é importada na UE. Para uma expedição Reino Unido → França, um EORI estrangeiro sozinho não basta: segundo as orientações do GOV.UK, para exportar a partir do Reino Unido como empresa com mercadoria no país precisa de EORI GB — confirme em gov.uk/eori.
Quem apresenta a ENS do lado francês?
A ENS (declaração sumária de entrada no ICS2) é apresentada pelo transportador (operador do meio de transporte) ou por um despachante em França — não por nós. Na prática, ou o operador do ferry ou do Eurotunnel transfere a obrigação para o transportador rodoviário, ou o seu despachante francês apresenta a ENS juntamente com a declaração de importação. Se ainda não tem despachante em França, ajudamos a pô-lo em contacto com parceiros franceses de confiança.
Quanto tempo demora o desalfandegamento de exportação em Dover?
A apresentação da declaração de exportação no CDS demora habitualmente 15-45 minutos após a receção do pacote completo de documentos, e a GMR mais 5-15 minutos. O camião deve chegar com tudo preparado (declaração e GMR prontas antes da chegada a Dover). No portão de acesso, a leitura da GMR e o embarque demoram 15-45 minutos (mercadoria sem requisitos SPS). Se a carga for encaminhada para inspeção em Sevington, acrescente 30-90 minutos e os 35 km de deslocação. São tempos indicativos, não garantidos.
É necessário trânsito T1 se a carga fica em França?
Normalmente não. Para uma entrega típica a um destinatário em França (com importação em Calais ou noutra estância fronteiriça francesa) basta a exportação britânica mais a importação em França. O T1 só é necessário quando a carga segue para outro país da UE e é desalfandegada no destino, ou quando a importação em França é feita no interior (Paris, Lyon) — nesse caso o T1 leva a mercadoria de Calais até uma estância interior.
O que acontece se o motorista chegar ao ferry sem GMR?
Sem GMR não há embarque. Os portões automáticos do Port of Dover e dos operadores não deixam passar o veículo. O motorista é obrigado a recuar, tem de obter a GMR, reservar um novo lugar no ferry (£75-200 cobrados pelo operador do ferry pela travessia perdida) e esperar pela seguinte (1-3 h de atraso). Na época alta (sextas-feiras, julho-agosto), o atraso pode chegar a 6-12 h.
Onde é verificada a GMR em Dover–Calais?
Uma única vez, do lado britânico: o operador do ferry ou do shuttle verifica a GMR no check-in, no porto ou terminal de onde parte, e autoriza o embarque se for válida. França nunca vê a GMR — a fronteira inteligente francesa lê a matrícula do veículo e liga-a à declaração aduaneira ou de trânsito. Mais detalhes na secção «GMR Dover–Calais: onde é verificada» acima (ver secção).
Posso verificar a GMR eu próprio?
Não através de uma página pública. O serviço do GOV.UK de verificação da GMR destina-se aos operadores de ferry e de shuttle que integraram a API para transportadores (interface de programação de aplicações): o operador submete a GMR com a matrícula do veículo (movimento acompanhado) ou com a referência do reboque ou do contentor (não acompanhado). O que pode fazer é abrir a GMR no GVMS e confirmar que todas as declarações associadas estão presentes e válidas antes de o motorista chegar ao portão de acesso. No check-in, a regra é simples: se a GMR for válida, o operador autoriza o embarque; se for inválida, o operador tem de informar o transportador rodoviário de que não pode embarcar até obter a informação correta.
Que código de estância aduaneira devo usar para Calais?
FR620001 — Calais Port/Tunnel, que cobre o porto de ferries e o terminal do Eurotunnel. É a estância de passagem num movimento de trânsito que sai da Grã-Bretanha para França ou através de França, porque a estância de passagem fica sempre no território em que se entra. O código britânico GB000060 (Dover/Folkestone/Eurotunnel Freight, aberta 24/7) é a estância de partida nesse mesmo movimento — e passa a estância de passagem nos movimentos em sentido inverso, da UE para o Reino Unido. Se a travessia for Dover ↔ Dunquerque, use FR590001. Declare apenas uma estância de passagem para a entrada na União; se o camião acabar por atravessar noutro ponto, a mudança é registada automaticamente no Delta T através da fronteira inteligente.
Que mercadorias têm restrições sanitárias (SPS/POAO) em Dover?
As mercadorias SPS (sanitárias e fitossanitárias) e POAO (produtos de origem animal) têm controlos adicionais: carne, lacticínios, peixe, ovos, mel, plantas vivas, madeira e plantas jovens. Exigem certificado sanitário de exportação (EHC, assinado por um veterinário oficial), pré-notificação no TRACES-NT (o sistema sanitário da UE) e notificação ao posto de controlo fronteiriço em França. Os bens de dupla utilização (eletrónica com cifragem, componentes aeroespaciais, produtos químicos) exigem uma licença do Department for Business and Trade. Bens culturais, obras de arte, armas de fogo e munições exigem uma licença de exportação completa. Em caso de dúvida, fale connosco antes de carregar.
A easyclearance.pl também apura o T1 em França?
O apuramento do T1 em França é feito por um despachante habilitado em França — é uma exigência legal. Organizamos o apuramento através de parceiros (Calais, Lille, Paris, Lyon) e o serviço T1 cobre os dois lados: a abertura no Reino Unido e o apuramento no país de destino.
Quanto custa o desalfandegamento de exportação no Reino Unido?
Depende do número de linhas da declaração, da complexidade da classificação, de licenças ou bens de dupla utilização e de precisar ou não de T1 ou de EXS/GMR. Os preços atuais estão apenas na página de preços: https://easyclearance.pl/en/pricing.html
O que dizem as regras oficiais em vigor
O CDS (Customs Declaration Service) substituiu o sistema anterior nas exportações em 2024 (Customs Declaration Service, em inglês). A Release 3 do ICS2 abrange o transporte rodoviário e ferroviário desde 1 de abril de 2025 e o período de transição terminou a 1 de setembro de 2025 (França aplicou uma extensão nacional até 31 de dezembro de 2025, já expirada). Desde 1 de junho de 2026, todas as remessas que entram na UE devem ter uma ENS válida. A fronteira Dover–Calais funciona no regime pós-Brexit completo desde janeiro de 2021, e o BTOM (Border Target Operating Model) diz respeito sobretudo às importações para o Reino Unido — nas exportações Reino Unido → França, os sistemas decisivos são o GVMS, o CDS e o ICS2 francês. Informação conforme a situação jurídica de setembro de 2026.
Fontes oficiais
- GOV.UK: registo no GVMS (em inglês) — HMRC
- GOV.UK: Customs Declaration Service (CDS) (em inglês) — HMRC
- GOV.UK: número EORI (em inglês) — HMRC
- GOV.UK: Get a goods movement reference (em inglês) — HMRC, atualizado a 9 de junho de 2026
- GOV.UK: Check if a goods movement reference is valid (em inglês) — HMRC, atualizado a 8 de outubro de 2025
- GOV.UK: Community and Common Transit — lista de estâncias do Reino Unido (em inglês) — HMRC, lista atualizada a 9 de abril de 2026
- Comissão Europeia: ICS2 (em inglês) — DG TAXUD
- Comissão Europeia: Transition to ICS2 Release 3 is complete (em inglês) — DG TAXUD, 29 de agosto de 2025
- Comissão Europeia: ICS2 extends to rail and road transport from April 2025 (em inglês) — DG TAXUD, 3 de fevereiro de 2025
- Douane française (alfândega francesa)
- Douane française: Rules concerning offices of transit as part of Brexit common transit operations (em inglês) — nota aos operadores, 6 de janeiro de 2021
- Douane française: The smart border — DGDDI
- Douane française: Deployment of ICS2 R3 on road and rail — situation at 2 September 2025 (em inglês) — 3 de setembro de 2025
- Port of Dover — site oficial (em inglês)
- Eurotunnel Le Shuttle Freight
Ver também
Exportação do Reino Unido para França: peça um orçamento
Envie a fatura, a lista de embalagem, o CMR e o EORI GB, juntamente com o percurso (Dover, Folkestone/Eurotunnel ou Dunquerque) e a hora da travessia. A equipa avalia os documentos e indica os próximos passos para a declaração de exportação, a EXS e a GMR.
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Informação operacional de caráter geral, conforme as orientações oficiais em vigor em setembro de 2026; não constitui uma decisão vinculativa nem aconselhamento jurídico ou fiscal. Os procedimentos e as taxas podem mudar — confirme sempre as regras atuais do HMRC, da DEFRA, da Comissão Europeia e da alfândega francesa antes de expedir.